Crianças que não comem: o que fazer?

Crianças que não comem: o que fazer?

O ato de comer não é só uma ação individual, pois reflete um contexto social e cultural no qual o individuo está inserido, onde ele influencia e é influenciado. As escolhas alimentares, a quantidade dos alimentos, o tempo e o intervalo para comer, enfim as regras e normas da alimentação são estabelecidas pelo grupo social.

Alguns estudos demonstram a importância do contexto social na alimentação, uma vez que esse afeta a experiência alimentar, influencia os padrões de alimentação, o desenvolvimento socioemocional da criança e a qualidade da relação pais-filhos.

Sendo assim, as estratégias que a família ou os que acompanham a criança utilizam na hora da refeição para ensiná-la sobre o que e o quanto comer desempenham papel preponderante no desenvolvimento de seu comportamento alimentar, o qual depende da formação de hábitos alimentares.

E como favorecer a formação de hábitos alimentares saudáveis? Seguem algumas recomendações:

  1. Geralmente o aumento da aceitação para o novo alimento ocorre somente após 12 ou 15 apresentações do mesmo, ou seja, persista. Ofereça o alimento à criança por mais que ela não o aceite. Se depois de 15 ofertas ela continuar resistente, tente outro alimento, mas depois retorne ao que foi rejeitado em outra oportunidade;
  2. Evite usar de coação para o consumo de alimentos como frutas e vegetais, pois esse contexto só favorecerá a recusa desses alimentos. Se a criança não os quiser comer, não force, contudo jamais deixe de oferecer no prato os alimentos cuja resistência em comer é maior;
  3. Dê o exemplo. Os pais são o principal modelo para as crianças. Procure comer os alimentos que deseja que seu filho coma e evite aqueles que são indesejáveis. Oferte para os pequenos os mesmos alimentos que serão consumidos pelos adultos;
  4. As crianças precisam diferenciar a sensação de fome de outras sensações. O oferecimento de alimentos sem a necessidade nutricional pode resultar em alimentação inapropriada. A pressão para o consumo de mais alimento, quando a criança expressa que está satisfeita, pode impedir o desenvolvimento de um autocontrole adequado. Como resultado a criança pode vir a depender da sugestão externa para iniciar, manter e terminar sua refeição;
  5. Se a criança não comer bem em uma das refeições procure compensar na próxima. Não substitua as refeições;
  6. Integre as crianças nas diversas fases da escolha ao preparo do alimento. Leve seu filho ao supermercado. Aproveite para mostrar a enorme variedade de frutas e verduras e peça sua ajuda para selecionar e preparar alguns alimentos;
  7. Estimule seu filho a montar seu próprio prato e ensine a importância da presença de um alimento de cada grupo alimentar para conseguir uma refeição saudável;
  8. Tenha momentos fixos para as refeições. É necessário estipular horários para comer, assim a criança aprende que não é correto comer fora de hora. Escolha fazer as refeições com a família em ambientes destinados para isso, tranquilos e longe de TV, celular e internet;
  9. Estimule uma relação saudável com a comida – não classifique os alimentos como os que engordam ou não. É preferível ensinar sobre o que é saudável e o que não é;
  10. Durante as refeições mantenha uma atitude neutra – não faça folia, nem recorra a brincadeiras; não fique com raiva ou ansiedade aparente, pois isso tira o foco da alimentação, além de poder gerar estresse na criança, o que não é bom; recompense o consumo de alimentos com parabéns e só; e não use a comida como recompensa para um bom comportamento.

Enfim, não desista de oferecer ao seu filho as melhores opções alimentares, pois isso o capacitará para uma vida adulta mais saudável.

Artigo produzido por Jacqueline Serra e Patrícia CampeloFonoaudiologa e Nutricionista da Casa de Criança

Outras postagens