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Desenvolvimento infantil: a importância da creche nos primeiros anos de vida.

Desenvolvimento infantil: a importância da creche nos primeiros anos de vida.
Além da aprendizagem, fatores como socialização e autonomia são potencializados no ambiente escolar. Para colher bons resultados, quanto mais cedo a criança começar a frequentar a creche, melhor.

Há algumas décadas, as crianças que iam para a escola logo nos primeiros anos de vida eram matriculadas, em sua maioria, por um motivo funcional: era necessário que, enquanto pais ou responsáveis trabalhavam, o bebê tivesse um local adequado para ficar. De lá para cá, porém, ocorreram mudanças – inclusive no âmbito legal –, no que diz respeito ao lugar que a escola infantil ocupa no desenvolvimento da criança.

“O jardim de infância era visto como espaço de maternagem. Hoje, a pré-escola é necessária e faz parte do ensino obrigatório. No Brasil, se você tem uma criança com mais de quatro anos e ela não está matriculada na escola, você vai ser responsabilizado por isso”, destaca Ana Ásia Almeida, mestre e doutoranda em Linguística Aplicada e coordenadora geral de ensino da Casa de Criança Escola Creche. “E quanto mais cedo você colocar o seu filho na escola, melhor será o desenvolvimento dele”, completa.

Apesar de a aprendizagem de fato ser beneficiada quando a entrada na escola ocorre mais cedo, as vantagens de colocar os pequenos em um ambiente escolar na primeira infância vão muito além de um conhecimento acadêmico. Segundo Louise Sena, psicóloga da creche, os avanços também impactam “o âmbito da socialização e da autonomia, pois na escola as crianças têm a oportunidade de desenvolver essas habilidades de forma diferenciada, com seus pares”.

É na escola que, através do brincar e do olhar atento de equipes multidisciplinares, valores que podem afetar a adolescência e a vida adulta começam a ser trabalhados – em um ambiente seguro e a partir de vivências adequadas para cada faixa etária, ressalta Louise, o que nem sempre ocorre em outros espaços. A formação de um cidadão mais crítico, reflexivo e participativo também começa na primeira infância, a partir do ensino de valores como respeito, empatia e solidariedade.

Na Casa de Criança, há uma equipe de apoio composta por psicólogas, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e nutricionistas. Os profissionais atendem as duas unidades da escola creche (a primeira voltada para crianças de seis meses a dois anos e a segunda, para crianças de três a seis anos) e acompanham das aulas ao lanche, sempre em consonância com as necessidades pessoais de cada criança e em parceria com a família.

Além do investimento em formação contínua e humana, a Casa de Criança também possui estrutura física que permite que as crianças sejam estimuladas a experimentar, aprender, desenvolver coordenação motora e apreço pelas artes e pela natureza. Nas duas unidades da escola creche, há salas de aulas atrativas, espaços como: Leitura e Imaginação, Horta Compartilhada, bica para banho, salas Corpo em Movimento (voltadas para a prática de atividade física), pátio, quadra, salas de música e de dança, ilhas de brincadeira e um palco para apresentações dos pequenos.

Ambiente escolar abre mundo de possibilidades

Como pesquisadora e educadora, Ana Ásia defende que alguns fatores são inegociáveis na hora de escolher em qual escola matricular seu filho. Proposta pedagógica que dialogue com os valores da família, segurança e espaços lúdicos que estimulem os pequenos estão entre os principais pontos, além da formação contínua de uma equipe capacitada e preparada para lidar adequadamente com o universo lúdico das crianças.

Outro tópico essencial é compreender como a escola trabalha a questão da diversidade. A psicóloga Louise Sena ressalta que a introdução do respeito ao outro é um dos principais ganhos que as crianças têm na educação básica, pois é na escola que elas podem conviver com pares que vivem situações diferentes, “aprendendo umas com as outras, de forma coletiva”.

Foi esse olhar cuidadoso que, há quase dez anos, chamou a atenção da arquiteta Raquel Cabral, 44, em uma visita à Casa de Criança. Na época, ela buscava uma creche para o filho Bernardo, hoje com 12 anos, e se encantou com o acolhimento e com a estrutura da escola. “Da hora que você coloca o pé na calçada todo mundo conhece seu filho, e me chamou muito a atenção a preocupação com a socialização e a inclusão”, conta. Por isso, quando engravidou novamente, há cerca de cinco anos, e descobriu que o caçula Marcello tinha síndrome de down, não pensou duas vezes sobre a escolha da escola do pequeno.

“Eu nem morava mais tão perto da creche, mas não consegui pensar em outra escola para o meu filho, que não fosse a Casa de Criança. Por lei, eu posso colocar meu filho em qualquer escola, mas nem todas estão preparadas”, lamenta.

Marcello entrou na creche em agosto de 2021, com dois anos, por causa da pandemia. De lá para cá, se tornou apaixonado por música e leitura, além de fortalecer a socialização – ainda que, segundo a mãe, sempre tenha sido muito sociável, mesmo no período de isolamento. “Afinal, ele é um blogueiro”, brinca Raquel. E mais, tem tido a oportunidade de experimentar muitas atividades lúdicas, criativas e concretas, que se diferenciam do mundo virtual cada vez mais acessível às crianças em casa. “Na escola, só há pontos positivos. Quanto antes você colocar a criança para aprender e socializar com outras crianças, em um outro ambiente, mais ela vai ganhar”, reitera.

06:00 | Fev. 07, 2023

Autor O POVO Lab

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