Comportamento Alimentar Infantil

Comportamento Alimentar Infantil

Há uma música que diz: “comer, comer, comer é o melhor para poder crescer”, mas com base nessa afirmativa podem surgir alguns questionamentos: O que comer? Em que quantidade? Quando? Como?

Esses questionamentos fazem parte da vida de muitas famílias. A alimentação constitui uma das atividades humanas mais importantes, que envolve não só questões biológicas ou nutricionais, mas também psicossociais. Portanto, o ato de comer não é só uma ação individual, pois reflete um contexto social e cultural no qual o indivíduo está inserido, onde ele influencia e é influenciado.

Desde os primeiros anos de vida, a criança começa a experienciar o quê, como e quando comer, o porquê de alguns produtos serem comestíveis e outros não e a combinação dos alimentos. E esse processo de aprendizagem ocorre de acordo com a cultura do grupo social a que pertence. Alguns estudos demonstram a importância do contexto social na alimentação, uma vez que este afeta a experiência alimentar, influencia os padrões de alimentação, o desenvolvimento socioemocional da criança e a qualidade da relação pais-filhos.

Sendo assim, as estratégias que a família ou os que acompanham a criança utilizam na hora da refeição para ensiná-la sobre o que, quando e o quanto comer desempenham papel preponderante no desenvolvimento do comportamento alimentar. Esse comportamento depende da formação de hábitos alimentares.

Entende-se hábito alimentar como um conjunto de concepções, atitudes e práticas alimentares como resultado da apreensão do mundo e do estabelecimento da relação com os alimentos, além de ser um ato e costume ou um padrão de reação adquirido por frequente repetição da atividade (aprendizagem).

Este ato ou costume é desenvolvido pela exposição repetida a novos alimentos/sabores e os estímulos para experimentá-los – alguns estudos apontam que o alimento não pode ser apenas percebido visualmente ou pelo odor, a criança necessita provar, mesmo que inicialmente em quantidade mínima – o que contribui significativamente na aceitação do novo.

Existem alguns determinantes para o desenvolvimento dos hábitos alimentares:

•• Influências intrapessoais – que envolvem elementos biológicos, tais como fome, hereditariedade, sexo e elementos psicossociais, como a percepção causada pelos alimentos, o conhecimento sobre eles, a preferência e a motivação para consumi-los.

•• Atitudes – que envolvem a cognição (formada pelas informações sobre os alimentos) e a afetividade (baseada em experiências emocionais relativas à alimentação). 

E como favorecer a formação de hábitos alimentares saudáveis? Seguem algumas recomendações:

1. Geralmente o aumento da aceitação para o novo alimento ocorre somente após 12 ou 15 apresentações do mesmo, ou seja, persista. Ofereça o alimento à criança por mais que ela não o aceite. Se depois de 15 ofertas ela continuar resistente, tente outro alimento, mas depois retorne ao que foi rejeitado em outra oportunidade;

2. Evite usar de coação para o consumo de alimentos como frutas e vegetais, pois esse contexto só favorecerá a recusa desses alimentos. Se a criança não os quiser comer, não force, mas jamais deixe de oferecer no prato os alimentos cuja resistência em comer é maior;

3. Dê o exemplo. Os pais são o principal modelo para as crianças. Procure comer os alimentos que deseja que seu filho coma e evite aqueles que são indesejáveis;

4. As crianças precisam diferenciar a sensação de fome de outras sensações. O oferecimento de alimentos sem a necessidade nutricional pode resultar em alimentação inapropriada. A pressão para o consumo de mais alimento, quando a criança expressa que está satisfeita, pode impedir o desenvolvimento de um autocontrole adequado. Como resultado a criança pode vir a depender da sugestão externa para iniciar, manter e terminar sua refeição;

5. Se a criança não comer bem em uma das refeições, procure compensar na próxima. Não substitua as refeições.

6. Integre as crianças nas diversas fases da escolha ao preparo do alimento. Leve seu filho ao supermercado. Aproveite para mostrar a enorme variedade de frutas e verduras e peça sua ajuda para selecionar os alimentos.

7. Estimule seu filho a montar seu próprio prato e ensine a importância da presença de um alimento de cada grupo alimentar para conseguir uma refeição saudável.

8. Tenha momentos fixos para as refeições. É necessário estipular horários para comer, assim a criança aprende que não é correto comer fora de hora. Escolha fazer as refeições em ambientes tranquilos longe de TV, telefones e internet.

Por Patrícia Campelo e Jacqueline Serra
Nutricionista e Fonoaudióloga da Casa de Criança
(Revista Criançar nº 7. P. 26)

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