Valores sociais na infância

Valores sociais na infância

Não é de agora a importância atribuída à primeira infância no que se refere ao desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

Dentro do aspecto cognitivo, a neurociência nos apresenta descobertas maravilhosas sobre a capacidade cerebral caracterizada pela sua plasticidade, e com isso a abrangência de possibilidades, principalmente, quando os estímulos são realizados precocemente.

Quanto à socialização, que inicialmente se dá no núcleo familiar, essa cresce significativamente quando a criança ingressa na escola. O convívio com adultos e, principalmente, com outras crianças traz como consequência imediata a formação de vínculos, a expansão do vocabulário, bem como uma melhor capacidade de compreensão sobre as situações. Como afirma Vigotsk, o ser humano se constitui como tal a partir da interação social. Isso porque a interação com o meio social, que acontece a partir do contato com estímulos diversos e trocas com o outro, leva a criança a lidar com seus sentimentos, sejam eles de alegria diante de conquistas obtidas, tristeza perante possíveis frustrações, surpresa, raiva, medo e tantos outros.

Nesse universo rico em experiência, os educadores responsáveis, em primeira instância pais e professores, precisam se valer de momentos do dia a dia, como os pequenos conflitos e desafios, para situar e relevar a vivência dos valores sociais de maneira a favorecer aos pequeninos aprendizagens saudáveis a sua formação como pessoa e cidadão.

Sabemos que a implementação de valores autênticos não é tarefa simples, quando se trata de uma realidade cultural movida pelo consumismo. Significa introduzir novos hábitos que pressuponham uma mudança de comportamento, pois a maioria das pessoas é influenciada pela ideologia materialista que produz uma cultura de posse, caracterizada pelo egoísmo. Como consequência deste fato, há obscuridade dos verdadeiros valores que proveriam uma realidade social digna do ser humano. Vivemos na época do descartável, que vai de encontro a uma conduta para o cultivo desses valores.

Sobre esse tema, em 2001, em dissertação de mestrado, apresentei os resultados de minha pesquisa desenvolvida com crianças da educação infantil, cujo propósito foi direcionar um programa introdutório que levasse às crianças a uma maior sensibilização com relação aos valores sociais, tendo em vista a contribuição para a formação e exercício da cidadania. Inicialmente, não foi fácil, devido à faixa etária, encontrar no meio acadêmico um instrumento que auxiliasse nesse trabalho. Em contrapartida, após a aquisição deste primeiro passo, não foi difícil constatar que as crianças possuem a capacidade para assimilar, colocar em prática estes valores e consequentemente agregá-los a sua vida.

A criança precisa sentir-se, acima de tudo, amada, respeitada e estimulada a desenvolver o seu potencial de forma tranquila. Nada passa despercebido a ela, está atenta a cada gesto, a cada palavra falada, observa os detalhes nos comportamentos e percebe exatamente o que se passa ao seu redor. Portanto, o exemplo e a transparência na comunicação dos adultos são fundamentais para a formação consciente como ser social.

Por Heloísa Mª Câmara de Sena
Diretora da Casa de Criança
(Artigo extraído da Revista Criançar nº5)

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