Gestão de Família: o lugar dos pais.

Gestão de Família: o lugar dos pais.

Educar um ser humano, para se tornar uma pessoa do bem, sempre representou um grande desafio, entretanto, nos dias de hoje, deparamo-nos com circunstâncias que não vivenciamos em nosso próprio processo de formação. A era digital, no que se refere à educação de nossas crianças, retrata bem esse contexto. Não temos parâmetros sobre como lidar com as tecnologias em nossa rotina, bem como com as consequências que podem acarretar em nossa dinâmica familiar.

Refletir sobre o lugar dos pais na família representa um passo importante nesse novo cenário. E para contemplar essas questões, é valido retomar alguns aspectos da forma de educar das gerações passadas. A história nos apresenta que, antigamente, a criança não ocupava um lugar de muita importância na família. Eram grupos numerosos e as particularidades de cada um não eram vistas. Esse foi um aspecto extremamente questionado e, atualmente, o lugar que as crianças ocupam, no seio da família, é totalmente diferenciado, pois são reconhecidas em suas necessidades, o que é importante, mas, em muitas situações, tornam-se o centro dessa estrutura, o que pode ser tão prejudicial quanto não serem vistas.

Outro aspecto relevante refere-se aos comportamentos adotados pelos adultos das décadas passadas, que, apesar de não serem muito reflexivos, eram objetivos e seguros em seus posicionamentos. Nos dias de hoje, os pais têm acesso a um volume maior de informação, são bastante reflexivos e desejam muito acertar. Contudo, em muitos momentos, mostram-se inseguros em relação às reações da criança diante de suas posturas mais firmes, sobretudo o que isso poderá acarretar, no que diz respeito a traumas. E é, exatamente, essa dúvida que transmite fragilidade e pode gerar consequências negativas para as crianças. Como pais, somo referenciais de segurança e, para isso, necessitamos compreender melhor a dinâmica de nossa família e nos fortalecermos com base nos valores sociais que são essências para uma vida saudável e harmônica.

Mas como caminhar nesse processo? Precisamos nos indagar sobre o tipo de pessoa que desejamos ser e o tipo de pessoa que desejamos formar. Essas respostas irão nos auxiliar na definição dos valores de família, que servirão de alicerce para todas as intervenções necessárias ao bom desenvolvimento das crianças.

No processo de formação de qualquer ser humano, a vivência de limites claros é bastante estruturadora e representa um dos melhores caminhos para a conquista da segurança interna e da resiliência, que é a capacidade para lidar com os problemas, superar obstáculos, resistir às pressões e se adaptar às mudanças da vida.

Os limites devem ser trabalhados desde cedo. Enganam-se os pais que pensam que as crianças pequenas não compreendem essas questões. A forma como falamos, que envolve o tom de voz e as expressões faciais, demarca as ações e comportamentos que podem ser admitidos ou não, e à medida que elas crescem, o nível de compreensão se amplia. Como exemplo para ilustrar essa dificuldade em relação à colocação de limites, tomemos como base a nossa cultura consumista, visto que, sem nos darmos conta, conduzimos a criança, desde cedo, a aprender que a felicidade está vinculada à satisfação dos seus desejos. Precisamos estar atentos à construção dessa crença, que leva a criança a uma ilusão acerca do que é a vida. Os desejos não representam as necessidades fundamentais que o indivíduo precisa para crescer saudavelmente.

A vivência dos limites implica numa relação de proximidade com a criança e, nessa direção, é preciso que os pais busquem conviver verdadeiramente com os seus filhos. É preciso estar disponível para ouvir, buscando conhecer e compreender o que eles nos comunicam, por meio do seu comportamento. Para que essa convivência de fato aconteça, precisamos estar atentos a nós mesmos, pois as redes sociais representam, hoje, um dos maiores adversários de nossa família. Muitas vezes, estamos em casa, mas a conexão que está sendo estabelecida, infelizmente, não é com quem está ao nosso lado.

É valido salientar que esses limites precisam estar alinhados com os valores da família, para que, aos poucos, as crianças possam integrar o sentimento de pertencimento a essa estrutura familiar.

Enquanto nossos filhos são pequenos, temos condições de acompanhá-los bem de perto, porque eles estão sempre conosco ou com pessoas da nossa confiança. Mas à medida que eles crescem, isso muda muito. Eles passam a receber os valores do mundo que se expressam, sobretudo, nas relações de amizade que irão estabelecer. Desta forma, pertencer a um grupo social específico passa a ter um lugar de muita importância na vida do adolescente. Nessa fase, nós não temos mais como estar ao lado deles como antes, por isso, é tão valoroso que eles, ao longo dos anos, internalizem os valores da família e integrem PAI e MÃE em seu ser.

Os desafios, como vimos, são muitos, e não há uma fórmula mágica para enfrentá-los. Entretanto, o que pode nos ajudar não está tão distante. Na verdade, está em nossas mãos, pois a presença dos pais ao lado dos filhos sempre será o melhor antídoto para tudo o que possa ser destrutivo, além disso seus ensinamentos devem servir de base para todas as escolhas que eles irão fazer em sua vida.

Por Denise Sanford
Diretora da Casa de Criança

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